Parques de campismo e bungalows em Castela-La Mancha (Espanha)
Castela-La Mancha é uma das regiões mais subestimadas de Espanha para fazer campismo. Quem se aventura a percorrê-la com tenda, caravana ou autocaravana descobre que a meseta esconde muito mais do que planícies: lagoas turquesa, desfiladeiros fluviais, vulcões extintos, serras de montanha mediterrânica e cidades com séculos de história acumulada. O afastamento da costa é precisamente a sua maior vantagem: menos massificação, preços mais razoáveis e a possibilidade de encontrar parcelas tranquilas mesmo nos meses de maior afluência.
O território natural é extraordinariamente variado. As Lagunas de Ruidera, no limite entre Albacete e Ciudad Real, formam uma cadeia de quinze lagoas de águas turquesa ligadas por cascatas e ribeiros, classificada como Paraje Natural (paisagem natural protegida) e local perfeito para nadar, fazer caiaque ou percorrer as margens a pé ou de bicicleta. As Tablas de Daimiel, o único parque nacional de zonas húmidas da região, albergam colónias de garças, cegonhas e patos em plena planície. Cabañeros, nos Montes de Toledo, é uma savana ibérica com veados, grifos, águias-imperiais e uma das densidades de fauna mais altas da península. O Alto Tajo, partilhado entre Guadalajara e Cuenca, é um dos desfiladeiros fluviais mais espetaculares do interior, com bosques ribeirinhos e aves de rapina a sobrevoar as paredes calcárias. E a Serranía de Cuenca traz formações geológicas únicas como a Ciudad Encantada e nascentes de rios como o Cuervo, com cascatas de tufo calcário saídas de um conto.
Quem viaja de caravana ou autocaravana encontrará em Castela-La Mancha condições ideais na primavera e no outono, quando as temperaturas são suaves e as paisagens têm luz e cor próprias. O verão castiga a meseta com calor intenso, embora as zonas de serra de Cuenca, Guadalajara, a Sierra de Alcaraz em Albacete ou os Montes de Toledo ofereçam frescura a altitudes superiores a 1.200 metros. O inverno é frio e seco, mas permite desfrutar dos recursos culturais com total tranquilidade.
A cultura manchega impregna qualquer rota. Os moinhos de vento de Consuegra e Campo de Criptana evocam Cervantes do alto das suas colinas. Toledo, Património da Humanidade, concentra em poucos metros catedral gótica, sinagogas medievais, mesquitas e palácios mudéjares. Sigüenza conserva a sua catedral românica e um centro histórico de pedra que parece parado no tempo. Almagro mantém de pé o único corral de comedias (teatro tradicional ao ar livre) do século XVII que continua em uso, e Cuenca exibe as suas casas suspensas sobre as hoces (desfiladeiros escavados pelo rio) como se desafiassem a gravidade. Para os campistas que combinam natureza e cultura, esta comunidade permite encadear espaços naturais e localidades históricas a curtas distâncias.
A gastronomia é outro argumento de peso. O queijo manchego curado, o pisto (refogado de legumes à manchega), o gazpacho manchego (guisado de caça com bolos de massa), as gachas (papas de farinha), a perdiz de escabeche, o morteruelo conquense (patê quente de fígado e caça) e o mazapán de Toledo (maçapão) são produtos com denominação de origem ou com séculos de tradição. Os vinhos de Valdepeñas, La Mancha e Méntrida acompanham bem os jantares ao ar livre. E os céus de Castela-La Mancha, com pouca poluição luminosa, oferecem noites estreladas que poucos lugares da Europa conseguem igualar, fazendo da noite mais um espetáculo da viagem.
Parques de campismo por província em Castela-La Mancha: Albacete, Ciudad Real, Cuenca, Guadalajara, Toledo.