Campismo em Albacete: montanha mediterrânica, lagoas e serra sem massificação
A província de Albacete quebra todos os clichés da planície manchega assim que nos afastamos da capital. A sudeste, a Serra de Alcaraz e a Serra do Segura formam um conjunto montanhoso de grande beleza, com vales profundos, bosques de pinheiro e sabina, e rios que nascem entre rochedos calcários. O rio Mundo brota de uma cascata espetacular nos Calares del Mundo, num local natural de acesso limitado que merece o esforço da caminhada. A altitude destas serras suaviza o calor do verão manchego e permite desfrutar de temperaturas frescas e agradáveis mesmo em julho e agosto.
As Lagoas de Ruidera, no extremo norte da província, no limite com Ciudad Real, são o enclave mais visitado e o que mais campistas atrai. As suas quinze lagoas de água turquesa, ligadas por cascatas naturais e rodeadas de pinheiros e azinheiras, oferecem possibilidades para banhos, caiaque, caminhadas e observação de aves aquáticas. O Parque Natural de Ruidera tem ainda o atrativo de estar ligado às andanças de Dom Quixote, já que Cervantes situou aqui a gruta de Montesinos.
As aldeias da serra de Albacete têm um carácter próprio que as distingue do resto da província. Yeste, empoleirada num esporão rochoso sobre a albufeira do Segura, Riópar junto à nascente do Mundo, e Letur com o seu bairro mudéjar são exemplos de localidades pequenas e autênticas, onde o turismo de massas não chegou. Percorrer esta zona de autocaravana ou de tenda, parando em aldeias e percursos pedestres pouco sinalizados, é uma experiência que recompensa quem procura o genuíno.
A gastronomia de Albacete bebe das tradições manchega e murciana. O gazpacho manchego de perdiz ou coelho (guisado servido sobre uma massa de pão ázimo), o atascaburras com bacalhau e batata (puré de batata e bacalhau com alho e azeite), os miguelitos de La Roda (pastéis folhados com creme) e a olla manchega da serra (cozido de grão e carne) são pratos substanciais que alimentam bem depois de um dia de caminhada. Os vinhos de Almansa, com uvas garnacha tintorera, são pouco conhecidos fora da região e têm uma personalidade marcada que surpreende agradavelmente quem os prova.
A capital, Albacete, merece uma visita, ainda que breve. A sua feira de setembro é uma das mais importantes de Castela-La Mancha, e o seu museu provincial tem uma das melhores coleções de cutelaria tradicional de Espanha. A cidade tem também um passeio arborizado, o parque de Abelardo Sánchez, que é um oásis de frescura nos verões quentes da meseta. Para o campista que combina natureza e escapadas urbanas, a província oferece uma combinação equilibrada de montanha, lagoas e cidade com carácter próprio.